20/Mai/2008
A memória do tempo

Há muito que arrefeceram as letras. Apagou-as o tempo que passou pelo lado de dentro da porta e desapareceu nas frinchas.
Paradoxalmente desfaço os vestígios materiais e as cartas escaparam-se na intenção, numa dessas escolhas de coisas sem importância.
O que não está escrito não existiu – aprendi na História – por isso não interessa relembrar, reviver, retornar aos lugares do passado, se eles não estão senão na memória das coisas.
Mas as coisas colaram-se a mim.
Paradoxalmente desfaço os vestígios materiais e as cartas escaparam-se na intenção, numa dessas escolhas de coisas sem importância.
O que não está escrito não existiu – aprendi na História – por isso não interessa relembrar, reviver, retornar aos lugares do passado, se eles não estão senão na memória das coisas.
Mas as coisas colaram-se a mim.
Desafio aceite por Elipse
19/Mai/2008
Biscoitinho
O Ocean's Eleven fixou-se no meu imaginário que é o mesmo que dizer que sofro daquela mania comum de me babar pelo Pitinho e pelo Cloneyzinho. Não foi estratégico mas fui arrastada na onda.
Em três penadas a questão é que já há mais de um ano que amarinhava pelo Pitinho acima e abaixo que nestas coisas do sexo importa menos a posição do que o turbilhão das sensações e já dizia o nosso rei poeta D. Dinis que nem sempre galinha, nem sempre rainha. E como um verde branco ele continuava a saber-me a fresco e a dar-me aquele piquinho no palato e noutros pontos também húmidos mas mais carnudos do meu corpinho que me davam os momentos de estremecimento aos sacões e balbúcios desconexos. Só que o moreno amigo de longa data que nos acompanhava nas farras e mais encorpado como um bom tinto alentejano chamava por mim pelos olhos escuros e intensos como quem diz papa-me todo e era difícil desprezar aquelas nádegas sólidas que me davam formigueiro nas mãos. Vai daí comecei a fazer assaltos ora com um ora com outro.
Só que carregar o pecado da omissão todos os dias não era piedoso para nenhuns dos três, como se tivéssemos aderido à moda da promiscuidade entre funções públicas e privadas e ultrapassado o impacto dos olhares de soslaio e dos risinhos abafados dos carregadores das três camas individuais para o mesmo quarto consegui realizar o meu sonho adolescente de estar na cama com dois gajos aproveitando em simultâneo todas as potencialidades do meu corpo.
Desafio aceite por maria_arvore
18/Mai/2008
Leituras...
"Somos todos farrapos de uma textura tão uniforme e diversa que cada peça, a cada momento, esvoaça como muito bem lhe apraz. E existem tantas diferenças entre nós e nós próprios como entre nós e os outros." (Michel de Montaigne, Essais, Segundo Volume I)
"Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente."
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
"Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colónia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente."
(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
Treze coisas que eu nunca fui capaz de fazer mas gostava

1. Ser autora dum grande bluff
2. Correr uma maratona
3. Ler a bíblia inteira
4. Levantar cedo sem ser obrigada
5. Fazer uma dieta sem esforço
6. Participar numa sessão espírita
7. Ver um show de strip masculino sem ficar enjoada
8. Comer caracóis
9. Fumar sem ficar a tossir durante meia hora
10. Estudar álgebra e perceber tudo à primeira
11. Perceber o que é um fora de jogo
12. Tocar num réptil
13. Cantar a ária da rainha da noite da Flauta Mágica sem desafinar nem ficar sem fôlego
Desafio aceite por Didas
O que foi visto junto a um muro
Assisti a um episódio esquisito. Estava um homem desarmado frente a quinze homens encostados a um muro. Todos eles armados. Estes quinze homens haviam sido amarrados e assim não conseguiam usar as armas. Estavam armados, mas amarrados. Por isso mesmo tinham medo que o homem desarmado lhes roubasse uma das armas e os fuzilasse, uma a um. A verdade é que o homem desarmado não fez nada disso. Em frente a eles pôs-se, afinal, a dançar. Apenas isto. A dançar. (Gonçalo M. Tavares)
Abismo

Os pensamentos entravam sem cerimónia e procriavam sem parar. Cada pista de raciocínio era severamente analisada como se fosse a chave para compreender a vertigem e o porquê da vertigem e da incapacidade de sentir a vida para além dela. E a vida o que é afinal? Olhou-se mais uma vez ao espelho para se certificar que era um rosto e um corpo e não um novelo emaranhado dentro de si próprio. Um novelo que não tem princípio nem fim...
Tirou o quadro da parede e pô-lo no chão. Vou acabar com a loucura. Subiu para cima da cama e atirou-se para o abismo.
Tirou o quadro da parede e pô-lo no chão. Vou acabar com a loucura. Subiu para cima da cama e atirou-se para o abismo.
Desafio aceite por Vague
16/Mai/2008
Pensamento do Dia
"Cacau, pasta, pastel, massa, arame, couve, taco, cobre, carcanhol, guita, pilim, milho, ferro, narta, graveto, papel, bago, guito, pataco, aço, guilho, cumbu, euro-milhões, etc..."
9/Mai/2008
Até quando falhamos podemos ser melhores
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
"Primeiro o corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor poir. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo."
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
In: Últimos trabalhos de Samuel Beckett
"Primeiro o corpo. Não. Primeiro o lugar. Não. Primeiro ambos. Ora um deles. Ora o outro. Até fartar de um deles e tentar o outro. Até fartar também deste e fartar outra vez de um deles. Assim em diante. Dalgum modo em diante. Até fartar de ambos. Vomitar e partir. Para onde nem um nem outro. Até fartar desse lugar. Vomitar e voltar. Outra vez o corpo. Onde nenhum. Outra vez o lugar. Onde nenhum. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Melhor outra vez. Ou melhor poir. Falhar pior outra vez. Ainda pior outra vez. Até fartar de vez. Vomitar de vez. Partir de vez. Onde nem um nem outro de vez. De vez e tudo."
"Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor."
In: Últimos trabalhos de Samuel Beckett
8/Mai/2008
O meu primeiro Livro
“Aventuras de Dona Redonda”
(A notícia da passagem no pinhal daquela coisa extraordinária, espalhou-se com incrível rapidez.)
(A notícia da passagem no pinhal daquela coisa extraordinária, espalhou-se com incrível rapidez.)
- Onde está? Para onde vai?
- O que é?
- Dizem que é um automóvel puxado por cavalos com asas.

- Não são asas, são orelhas.
- Não são cavalos, são burros pretos.
- Levam atrás uma teia de aranha de ferro.
- Que disparate! O que levam são duas bicicletas amarradas uma à outra.
- E presas a um tronco.
- E em cima do tronco vai um homem de cara esquisita.
- Quem é o homem?
- É um urso.
- Tu nunca viste um urso.
- Vi, sim senhora.
- Toda a gente viu os ursos que passaram para a feira.
- Mas se é um urso, deve ir preso.
- Porquê?
- Porque os ursos que aqui passam vão presos pelo nariz.
- Olha! Olha! Lá vai a tal coisa.
- Onde? Onde?
- Não ouves o barulho?
- Vamos ver! Vamos ver!
7/Mai/2008
5/Mai/2008
das nossas casas, que por alguma razão se aproximou de nós, alguma coisa ou alguém que não aceita, ou não percebe que morreu. Só não admitimos essas presenças por medo. Não importa onde morreram. Nem sequer onde viveram, é muito mais simples que isso. Limitam-se a ficar perto das coisas que amaram. É o que os conserva cá. Sempre que apagarem as luzes, fiquem atentos aos sons, aos sinais que possam surgir, é natural que vos faça tremer ao passar. Habituem-se ao escuro, é uma outra claridade. Com muita sorte, talvez consigam assistir à vossa própria morte. Friendship
Tem uma perna de pedra. O resto do corpo é normal. Os raciocínios não são afectados. Pensa e fala como os outros. O problema é a movimentação. Para arrastar a perna de pedra não basta a outra perna normal fazer força. São necessários pelo menos dois amigos. Um de cada lado. Alguns dizem que ele tem intencionalmente uma perna de pedra para estar sempre acompanhado por dois amigos. Não sei se é verdade. Se é verdade é bem raro – um sacrifício tão grande por amizade. (Gonçalo M. Tavares)
4/Mai/2008
Frase & Opinião
“Os portugueses vêem como Sócrates se irrita especialmente comigo” Pedro Santana Lopes (SOL)
Ouve lá Santana não leves a mal pá, mas os portugueses só de olharem para ti e para o Sócrates ficam logo irritados muito antes de vocês abrirem a boca !
Ouve lá Santana não leves a mal pá, mas os portugueses só de olharem para ti e para o Sócrates ficam logo irritados muito antes de vocês abrirem a boca !
A pergunta:
Quando as verdades são evidentes e absolutamente contraditórias, o que tens a fazer é mudar de linguagem ?









etc, etc...

